“Maio Paraguaio”: da Tríplice Fronteira à Jerusalém

O mês de maio de 2018 foi agitado para os operadores das Relações Internacionais no Paraguai. Na primeira quinzena, especialistas em contraterrorismo publicaram um texto revisitando o nexo entre Tríplice Fronteira e terrorismo. Uma semana depois, na sequência de Estados Unidos e Guatemala, o Paraguai mudou a sede da Embaixada em Israel para Jerusalém. Os dois eventos deste “maio paraguaio” são objeto da análise publicada na Revista Mundorama.

http://www.mundorama.net/?p=24707

É possível controlar as fronteiras?

Você provavelmente já esperou um tempo razoável para cruzar a fronteira do Brasil com a Argentina. Na Ponte Tancredo Neves, nossos vizinhos fazem um controle de entrada e saída identificando (pegando nosso documento e digitando algo). Agora imagine se o mesmo controle fosse adotado pelo Brasil e pelo Paraguai na Ponte da Amizade, onde o movimento é algumas vezes maior que o registrado na fronteira Brasil-Argentina.

Alguns analistas das Relações Internacionais apontam que no século XXI as fronteiras não são possíveis de serem controladas. Esta regra valeria mesmo para a vigiada fronteira terrestre dos Estados Unidos, onde transitam mais de 370 milhões de pessoas por ano.

Na Tríplice Fronteira, uma pesquisa recente constatou que em dias normais (descontando-se feriados quando o número é pelo menos 60% maior), cruzam ambas as fronteiras diariamente mais de 102 mil pessoas e 39 mil veículos (nos dois sentidos). Anualmente são mais de 37 milhões de pessoas (equivalente a 85% de toda população da Argentina) e 14 milhões de veículos.

Sabemos, portanto, que o controle das fronteiras (especialmente aquela na qual vivemos) é um desafio. Se a forma de controle for a mesma que os argentinos fazem na entrada de Porto Iguaçu podemos concordar que o controle total pode ser impraticável.

Pode ser que haja uma luz no fim do túnel em alternativa à paralisação (devido ao controle tradicional) ou à falta total de controle da circulação de bens e pessoas. Trata-se do uso de tecnologia de alto nível, que exigirá conhecimento e investimentos em máquinas e recursos humanos.

Micael Alvino da Silva

Texto publicado na Revista 100Fronteiras, edição 152, maio de 2018.