American Crossings

Uma resenha do livro “American Crossings”, publicada na Revista Contexto Internacional, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC Rio. No livro há dois artigos específicos sobre a Tríplice Fronteira.

“[…] Outro aspecto importante abordado pelo autor é sua proposta de que há duas visões sobre a problemática do terrorismo na Tríplice Fronteira. A primeira visão, e na qual o autor se insere, é a de que “há terroristas”, baseada em “evidências” de “vários analistas” e de agências e do governo dos Estados Unidos. A segunda visão é a de que “não há terroristas” e seria baseada no antiamericanismo originado em explicações da política externa dos Estados Unidos contra árabes, muçulmanos e América do Sul como terra sem lei.”

Texto completo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292019000100235&lng=en&nrm=iso

O Comércio Exterior do Brasil

As relações internacionais podem ser medidas pelo nível do comércio entre os países. Como em qualquer comércio, em nível internacional há os clientes (países ou regiões para os quais exportamos) e os fornecedores (países ou regiões dos quais importamos). 

Se considerarmos a média dos últimos cinco anos, os principais clientes do Brasil foram: Ásia (US$ 70,8 bilhões), Europa (US$ 45 bilhões), América do Sul (US$ 34,6 bilhões), América do Norte (US$ 31,4 bilhões) e Oriente Médio (US$ 10 bilhões). 

Já os fornecedores são: Ásia (US$ 58,2 bilhões), Europa (US$ 46,2 bilhões), América do Norte (US$ 35,8 bilhões) e América do Sul (US$ 24 bilhões). O Oriente Médio aparece em sétimo lugar com média de US$ 5 bilhões.

Em números absolutos, o principal parceiro comercial do Brasil é a China. A América do Sul é um espaço comercial importante, no qual a Tríplice Fronteira é uma espécie de ramal. Dentro da América do Sul, mais da metade do volume de exportações e importações do Brasil ocorre no âmbito do Mercosul.

Nesta lógica, o Mercosul tem importância similar aos Estados Unidos no que se refere às exportações. O Brasil exportou para o bloco, nos últimos cinco anos, US$ 20,2 bilhões e para os Estados Unidos US$ 24,8 bilhões. No que se refere à importação, o que ingressou dos Estados Unidos (US$ 28,8 bilhões) é o dobro do que veio do Mercosul (US$ 14 bilhões).

Muitos temas concorrem para o aumento ou a diminuição do comércio exterior. A crise econômica do Brasil dos últimos anos, por exemplo, foi responsável por alterar o cenário de modo geral. Somente as exportações para a Ásia, América do Norte e Oriente Médio retomaram, em 2017, o patamar atingido em 2013. De todo o mundo, o Brasil importava US$ 241 bilhões em 2013 contra US$ 217 bilhões em 2017.

Quanto às importações, o valor em 2013 era de US$ 239 bilhões e caiu para US$ 150 bilhões em 2017. Com nenhuma região do mundo foi possível retomar os números de 2013. A boa notícia é que alguns indicadores econômicos do Brasil têm melhorado nos últimos meses. No mundo globalizado, o comércio internacional é também um termômetro para a economia doméstica.

(Revista 100 Fronteiras, Edição 159)

Tríplice Fronteira: temas presentes e futuros

O terrorismo e o comércio ilícito são os “novos temas” predominantes no estudo da Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai. Argumentar-se-á que há espaço para temas como o desenvolvimento sustentável e o papel de Itaipu Binacional, já que são implicados diretamente com o futuro das relações entre Brasil e Paraguai, da Tríplice Fronteira e da América do Sul.

Artigo completo em: http://www.mundorama.net/?p=24981

Presentation: Paraguay & Nuclear Rapprochement between Argentina and Brazil at the AmAnthro2018 Conference — Christine Folch

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Catastrophic Hypotheses, Energy Infrastructure, and Environmental Diplomacy as State Power in South America Friday, November 16, 2018 10:45 AM – 11:00 AM Room: Hilton, Lobby/Street Level, Almaden Ballroom II

via Presentation: Paraguay & Nuclear Rapprochement between Argentina and Brazil at the AmAnthro2018 Conference — Christine Folch

O Aquífero Guarani e o Mercosul

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O Aquífero Guarani está distribuído no subterrâneo do Brasil (735.917,75 km²), da Argentina (228.255,26 km²), do Paraguai (87.535,63 km²) e do Uruguai (36.170, 51 km²) – Imagem ilustrativa da Internet.

Pouco antes do ano 2000, foi descoberta uma importante reserva de águas subterrâneas na América do Sul. Um dos maiores aquíferos transfronteiriços do mundo foi batizado de Guarani em homenagem aos povos que tradicionalmente habitam a região. Coincidentemente, o traçado natural coincide com o Mercosul, sob a jurisdição da Argentina, do Brasil, do Paraguai e do Uruguai.

Desde então, diversos estudos foram realizados. Entre eles, um projeto da Organização dos Estados Americanos (OEA), financiado pela Global Environmental Fund. Como relatório final, datado de 2009, foi divulgado o documento intitulado Síntese Hidrogeológica do Aquífero Guarani. Entre outras revelações, constatou-se que o aquífero se estende por uma área total de 1.087.879,15 km².

O Aquífero Guarani constituiu tema de tamanha importância que os quatro Estados do Mercosul negociaram um tratado internacional para afirmar a exclusividade de exercício da soberania desses países sobre suas águas. Em 2 de agosto de 2010, os representantes dos quatro países assinaram o Acordo sobre o Aquífero Guarani, em San Juan (Argentina).

O tratado do Mercosul sobre o Aquífero Guarani tem como objetivo instituir um conjunto de normas para o aproveitamento dos recursos hídricos. Entre as normas estão aquelas que incluem a proclamação de soberania, a obrigação de cooperação no intercâmbio de informações e, em menor escala, a promoção da conservação e proteção ambiental.
O tratado foi bastante incisivo no aspecto de proclamação da soberania estatal, o que constitui um marco nas relações internacionais, já que se trata de um dos quatro instrumentos jurídicos vigentes em todo o mundo a respeito das águas de um aquífero que ocupa o subsolo transfronteiriço.

Paradoxalmente, o acordo foi vago em relação às obrigações vinculantes para a proteção das águas subterrâneas. Portanto, os Estados podem fazer o que bem entenderem com “a sua porção” do Aquífero Guarani. Mas um recurso natural fluido não é capaz de respeitar fronteiras políticas e humanas.

Por:
Maria Lúcia Navarro Lins Brzezinski
Doutora em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professora adjunta e coordenadora do Curso de Administração Pública e Políticas Públicas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Patrícia Gallas Buche
Jornalista especialista em Relações Internacionais Contemporâneas (Unila). É coordenadora editorial da Revista 100fronteiras.

(Originalmente publicado Revista 100 Fronteiras, Edição de Novembro 2018)

Revisitando o nexo Terrorismo-Tríplice Fronteira

Uma série de eventos ocorreram entre abril e setembro de 2018 que envolvem a Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai). Os principais foram, respectivamente, a divulgação de um relatório; uma suspeita argentina; e a prisão de um libanês, no Brasil, a pedido do Paraguai. A seguir, apresento a sequência dos fatos contemporâneos e argumento que eles nos levam a revisitar o nexo entre o terrorismo e a Tríplice Fronteira.

Artigo completo: https://www.mundorama.net/?p=24874