O caminho para Jerusalém

Recentemente uma polêmica tomou conta do noticiário: a disposição do novo governo do Brasil em mudar a sede da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Isso implica em reconhecer a cidade como capital dos judeus. Apenas os Estados Unidos e a Guatemala tomaram esta decisão. O Paraguai, no final do mandato de Horácio Cartes, optou por este caminho que foi revogado quando Abdo Benítez assumiu a presidência.

Jerusalém, tanto para cristãos quanto para muçulmanos e para judeus é a Cidade Santa. Desde 1947, deveria ser um “corpo separado”, sob controle internacional. No ano seguinte, o conflito entre árabes e israelenses levou à divisão da cidade. De um lado, Jerusalém Ocidental controlada por Israel e, de outro, Jerusalém Oriental, controlada pela Jordânia. A partir de 1967, Israel passou a controlar toda a área e a fazer assentamentos na banda oriental, o que a comunidade internacional considera ilegal.

Se um país reconhece Jerusalém como capital de Israel, está dando um recado para a comunidade internacional. Ignora-se que o status da cidade somente deveria ser decidido em negociações de paz no âmbito das Nações Unidas (ONU). Se o Brasil seguir este caminho, mudará a maneira que é visto no mundo, especialmente no Oriente Médio. Tenderá a se isolar diplomaticamente e, dentre outras consequências, suas exportações de carne e aves poderão ser afetadas. 

Finalmente, seguir Donald Trump implicará no alinhamento da política externa aos Estados Unidos. Se vir a concretizar, a futuro reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é um aceno para o público evangélico que, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, tende a ser pró-Israel. Mas, o custo para os brasileiros será mais alto do que para os americanos. Para os demais membros da comunidade internacional, é mais fácil se afastar do Brasil que dos Estados Unidos.

Por: Micael Alvino da Silva. Publicado originalmente em: Revista 100 Fronteiras, Edição 161, Fevereiro de 2019, p. 16.

Tributando o consumo

Sobre a política tributária no Brasil e no Paraguai, Alexandre Costa e Micael Alvino da Silva publicaram um texto na Revista Orbis Latina intitulado: Tributando o consumo: uma análise sobre as políticas tributárias do Brasil e do Paraguai.

O texto completo está aqui: https://revistas.unila.edu.br/orbis/article/view/1367

Resumo:

A partir da constatação de que a tributação é a principal forma de receita dos Estados, argumentaremos que tanto no Brasil quanto no Paraguai há uma opção por se tributar mais o consumo e menos a renda e o lucro. Considerando estatísticas internacionais, sugeriremos que em ambos os casos se deveria tributar mais rendas e lucros e menos consumo. Trata-se de uma sugestão de difícil implementação, já que a política tributária possui implicações complexas e, no caso paraguaio, possui estreita relação com o comércio internacional ilícito (triangulação).

American Crossings

Uma resenha do livro “American Crossings”, publicada na Revista Contexto Internacional, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC Rio. No livro há dois artigos específicos sobre a Tríplice Fronteira.

“[…] Outro aspecto importante abordado pelo autor é sua proposta de que há duas visões sobre a problemática do terrorismo na Tríplice Fronteira. A primeira visão, e na qual o autor se insere, é a de que “há terroristas”, baseada em “evidências” de “vários analistas” e de agências e do governo dos Estados Unidos. A segunda visão é a de que “não há terroristas” e seria baseada no antiamericanismo originado em explicações da política externa dos Estados Unidos contra árabes, muçulmanos e América do Sul como terra sem lei.”

Texto completo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292019000100235&lng=en&nrm=iso

O Comércio Exterior do Brasil

As relações internacionais podem ser medidas pelo nível do comércio entre os países. Como em qualquer comércio, em nível internacional há os clientes (países ou regiões para os quais exportamos) e os fornecedores (países ou regiões dos quais importamos). 

Se considerarmos a média dos últimos cinco anos, os principais clientes do Brasil foram: Ásia (US$ 70,8 bilhões), Europa (US$ 45 bilhões), América do Sul (US$ 34,6 bilhões), América do Norte (US$ 31,4 bilhões) e Oriente Médio (US$ 10 bilhões). 

Já os fornecedores são: Ásia (US$ 58,2 bilhões), Europa (US$ 46,2 bilhões), América do Norte (US$ 35,8 bilhões) e América do Sul (US$ 24 bilhões). O Oriente Médio aparece em sétimo lugar com média de US$ 5 bilhões.

Em números absolutos, o principal parceiro comercial do Brasil é a China. A América do Sul é um espaço comercial importante, no qual a Tríplice Fronteira é uma espécie de ramal. Dentro da América do Sul, mais da metade do volume de exportações e importações do Brasil ocorre no âmbito do Mercosul.

Nesta lógica, o Mercosul tem importância similar aos Estados Unidos no que se refere às exportações. O Brasil exportou para o bloco, nos últimos cinco anos, US$ 20,2 bilhões e para os Estados Unidos US$ 24,8 bilhões. No que se refere à importação, o que ingressou dos Estados Unidos (US$ 28,8 bilhões) é o dobro do que veio do Mercosul (US$ 14 bilhões).

Muitos temas concorrem para o aumento ou a diminuição do comércio exterior. A crise econômica do Brasil dos últimos anos, por exemplo, foi responsável por alterar o cenário de modo geral. Somente as exportações para a Ásia, América do Norte e Oriente Médio retomaram, em 2017, o patamar atingido em 2013. De todo o mundo, o Brasil importava US$ 241 bilhões em 2013 contra US$ 217 bilhões em 2017.

Quanto às importações, o valor em 2013 era de US$ 239 bilhões e caiu para US$ 150 bilhões em 2017. Com nenhuma região do mundo foi possível retomar os números de 2013. A boa notícia é que alguns indicadores econômicos do Brasil têm melhorado nos últimos meses. No mundo globalizado, o comércio internacional é também um termômetro para a economia doméstica.

(Revista 100 Fronteiras, Edição 159)