91 nacionalidades em Foz do Iguaçu

Divulgação/Internet

Quem faz uma rápida pesquisa no Google sobre Foz do Iguaçu, encontra várias notícias sobre a quantidade de etnias que habitam a cidade. Não é possível descobrir quem inventou esta contagem. Mas, ela está errada e pode ser classificada como um dos mitos históricos locais (existem outros, como por exemplo, o fato de que até Cascavel o território pertencia ao Paraguai, ou que Cidade do Leste é a terceira zona franca do mundo).

Identificar um grupo étnico, especialmente em um Brasil tão miscigenado, é uma tarefa muito subjetiva e complexa. Mesmo sem contar os estrangeiros, não é possível dizer com alguma razoabilidade quantas etnias há na Tríplice Fronteira. Pode haver centenas ou milhares, já que não há definição precisa sobre o que é um grupo étnico. O que podemos afirmar é o número de nacionalidades representadas.

Nacionalidade é um critério internacionalmente compreensível e aceitável. Quando uma pessoa muda para outro país, sua primeira obrigação é procurar as autoridades para fazer seu registro de estrangeiro. No Brasil a atribuição compete à Polícia Federal e, em Foz do Iguaçu, a Delegacia da Polícia Federal possuía 13.292 estrangeiros registrados em 2017. Isso equivale a 5% da população total da cidade.

Dentre todos os estrangeiros, os nacionais do Paraguai, do Líbano, da China e da Argentina correspondem aos maiores números, respectivamente, e somam quase 80% do total registrado. Na sequência vem os nacionais da Colômbia, Coréia do Sul, Peru, Chile, Síria, Bolívia, Portugal, Uruguai e Índia, que, juntos, correspondem a 12% do total. Assim, as pessoas de 13 nacionalidades correspondem a 92% dos estrangeiros em Foz do Iguaçu. 

Portanto, em Foz do Iguaçu há pessoas de 91 nacionalidades e não há como saber a quantas etnias este número corresponde. No caso de Foz do Iguaçu, a excepcionalidade se deve ao contexto de uma cidade de interior. Em grandes capitais do Brasil a quantidade de nacionalidades presentes superior. Em São Paulo, por exemplo, há 371.354 estrangeiros registrados de 195 nacionalidades. 

Por: Micael Alvino da Silva e Anderson Lima. Originalmente publicado na Revista 100 Fronteiras, edição de março de 2019.

O caminho para Jerusalém

Recentemente uma polêmica tomou conta do noticiário: a disposição do novo governo do Brasil em mudar a sede da Embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Isso implica em reconhecer a cidade como capital dos judeus. Apenas os Estados Unidos e a Guatemala tomaram esta decisão. O Paraguai, no final do mandato de Horácio Cartes, optou por este caminho que foi revogado quando Abdo Benítez assumiu a presidência.

Jerusalém, tanto para cristãos quanto para muçulmanos e para judeus é a Cidade Santa. Desde 1947, deveria ser um “corpo separado”, sob controle internacional. No ano seguinte, o conflito entre árabes e israelenses levou à divisão da cidade. De um lado, Jerusalém Ocidental controlada por Israel e, de outro, Jerusalém Oriental, controlada pela Jordânia. A partir de 1967, Israel passou a controlar toda a área e a fazer assentamentos na banda oriental, o que a comunidade internacional considera ilegal.

Se um país reconhece Jerusalém como capital de Israel, está dando um recado para a comunidade internacional. Ignora-se que o status da cidade somente deveria ser decidido em negociações de paz no âmbito das Nações Unidas (ONU). Se o Brasil seguir este caminho, mudará a maneira que é visto no mundo, especialmente no Oriente Médio. Tenderá a se isolar diplomaticamente e, dentre outras consequências, suas exportações de carne e aves poderão ser afetadas. 

Finalmente, seguir Donald Trump implicará no alinhamento da política externa aos Estados Unidos. Se vir a concretizar, a futuro reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel é um aceno para o público evangélico que, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, tende a ser pró-Israel. Mas, o custo para os brasileiros será mais alto do que para os americanos. Para os demais membros da comunidade internacional, é mais fácil se afastar do Brasil que dos Estados Unidos.

Por: Micael Alvino da Silva. Publicado originalmente em: Revista 100 Fronteiras, Edição 161, Fevereiro de 2019, p. 16.

Tributando o consumo

Sobre a política tributária no Brasil e no Paraguai, Alexandre Costa e Micael Alvino da Silva publicaram um texto na Revista Orbis Latina intitulado: Tributando o consumo: uma análise sobre as políticas tributárias do Brasil e do Paraguai.

O texto completo está aqui: https://revistas.unila.edu.br/orbis/article/view/1367

Resumo:

A partir da constatação de que a tributação é a principal forma de receita dos Estados, argumentaremos que tanto no Brasil quanto no Paraguai há uma opção por se tributar mais o consumo e menos a renda e o lucro. Considerando estatísticas internacionais, sugeriremos que em ambos os casos se deveria tributar mais rendas e lucros e menos consumo. Trata-se de uma sugestão de difícil implementação, já que a política tributária possui implicações complexas e, no caso paraguaio, possui estreita relação com o comércio internacional ilícito (triangulação).

American Crossings

Uma resenha do livro “American Crossings”, publicada na Revista Contexto Internacional, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC Rio. No livro há dois artigos específicos sobre a Tríplice Fronteira.

“[…] Outro aspecto importante abordado pelo autor é sua proposta de que há duas visões sobre a problemática do terrorismo na Tríplice Fronteira. A primeira visão, e na qual o autor se insere, é a de que “há terroristas”, baseada em “evidências” de “vários analistas” e de agências e do governo dos Estados Unidos. A segunda visão é a de que “não há terroristas” e seria baseada no antiamericanismo originado em explicações da política externa dos Estados Unidos contra árabes, muçulmanos e América do Sul como terra sem lei.”

Texto completo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-85292019000100235&lng=en&nrm=iso