É segunda ponte ou não é?

As pontes e a fronteira Brasil-Paraguai

Em 2019 iniciou-se a construção da Ponte da Integração, que ligará as cidades de Foz do Iguaçu e Presidente Franco, na Tríplice Fronteira. Tem sido comum encontrar na mídia ou ouvir em conversas a denominação de “Segunda Ponte” a essa obra. Mas, será que isso está correto?

Quem mora na Tríplice Fronteira sabe que essa não é a segunda ponte por aqui, mas a terceira. A mais antiga é a Ponte da Amizade, inaugurada em 1965, ligando Ciudad del Este e Foz do Iguaçu. A segunda ponte construída na região é a Ponte Tancredo Neves, também conhecida como Ponte da Fraternidade, que liga a cidade brasileira a Puerto Iguazú, na Argentina, inaugurada em 1985.

Em alguns veículos da mídia é possível encontrar manchetes nas quais consta que a obra em construção é a segunda ponte entre o Brasil e o Paraguai. Entretanto, também não é. O jornalista Lúcio Horta, em sua pesquisa na pós-graduação em Relações Internacionais que cursa na UNILA, levantou informações sobre a existência de uma ponte sobre o rio Apa, ligando a cidade paraguaia de Bella Vista Norte e o município brasileiro de Bela Vista. Comumente, essa estrutura bastante modesta, se comparada com a Ponte da Amizade, é chamada apenas de Ponte Internacional e foi inaugurada em 1971. Então, a nova ponte entre Presidente Franco e Foz do Iguaçu será a terceira ponte ligando o Brasil e o Paraguai e não a segunda.

Outra ponte importante nas relações Brasil/Paraguai é a Ponte Ayrton Senna. No entanto, apesar de facilitar o acesso entre as cidades de Salto del Guairá, no Paraguai, e Guaíra no Brasil, essa ponte liga as cidades brasileiras de Guaíra e Mundo Novo. Cabe lembrar que a fronteira entre Mundo Novo e Salto del Guairá é seca.

Sendo assim, é correto dizer que a nova ponte é a segunda ponte conectando Brasil e Paraguai na Tríplice Fronteira ou então a segunda ponte entre Brasil e Paraguai no rio Paraná. No final das contas, o importante é saber que nesse século XXI está em andamento mais uma obra que une brasileiros e paraguaios, enquanto que em outras fronteiras do mundo constroem-se muros que separam.

Por: Prof. Marcelino Teixeira Lisboa

Originalmente publicado em Revista 100 Fronteiras, dezembro de 2019.

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